Coffee Tales – Closer

Olá meus amores!

Não fiquem chateados comigo, mas o post de hoje não é sobre comida! Não só de cozinha essa pessoas que lhes escreve, vive.

Se você, querida(o) @ me segue no instagram, sabe que eu estou sempre na cafeteria/ludoteca nerd de uns amigos meus. Se não me segue clica aqui, e pra seguir esse lugar foda que é a Dice’n Roll, só clica aqui também.

Mas porque que eu falei dessa cafeteria maravilhosa?! Porque a gente criou um grupo/encontro de escritores chamado “Coffee Tales” e eu não resisti e me meti a escrever uns paranuês. Os textos são curtos e sempre vinculado a um tema da semana e tive a brilhante ideia de compartilhar os meus textos com vocês.

O da semana passada foi para desenvolver um texto/cena/momento que fosse inspirado numa música e o de ontem foi comédia romântica. Sim, gostamos de sair das nossas zonas de conforto. Como eu estava viajando na semana passada, resolvi juntar as duas coisas e escrever uma comédia romântica inspirada numa música! HA!

Escolhi a música “Closer” do The Chainsmokers (Já ouviu?), e o meu critério para escolhê-la foi: estava cozinhando, ela tocou, comecei a cantar que nem uma louca e a história veio todinha na cabeça.

Resultado de imagem para closer the chainsmoker

Prepara a música, porque é pra ouvir assim que você terminar de ler o texto

Tan tan tannnnn


 

Tinha sido um dia nervoso. Cheguei em Nova Iorque por volta das duas horas da tarde para uma entrevista de emprego que eu aguardei um tanto quanto ansioso para ser selecionado. Veja bem, não que seja o meu sonho trabalhar nessa ONG, mas tem alguns meses que me formei em Jornalismo pela Universidade de Colorado, em Boulder, e estava procurando algum lugar que quisesse um jovem, desajeitado, mas que acredita ser um bom jornalista, para fazer parte da sua equipe.

Estava há algum tempo sem beber, sim tenho um pequeno problema com bebidas, não que eu seja um alcoólatra, mas depois de um acontecimento que me deixou um tanto quanto abalado, beber demais foi um hábito que passei a ter toda vez que começava a pensar nela, o que era o tempo inteiro. Mas tem um ano que estou me desvencilhando dele, me dê algum crédito.

Porque entrei nesse assunto mesmo?! Ah sim! Porque resolvi esperar a resposta dessa entrevista, num bar qualquer de um hotel que estava bem ali, na minha frente. Sabe esses bares que você vê em seriado, geralmente de advogado?! Esse mesmo. Sentei numa mesa que dava para ver a rua, com um copo de whisky, sim, foda-se, eu estava ansioso para caralho! Coloquei meu celular na mesa e fiquei olhando para ele, como se isso pudesse fazer ele tocar com uma resposta positiva que poderia mudar a minha vida.

Estava nesse meu processo telepático com o telefone, quando algo na rua me chamou a atenção. Um Land Rover branco parou na frente do hotel e dele saíram algumas pessoas. Não consegui vê-las direito, mas por alguma razão não conseguia desviar o olhar do carro. Notei que era uma mulher que dirigia, mas como ela estava de costas para mim, e usando um sobretudo, não conseguia vê-la com clareza. Por mais esforço que eu fizesse de desviar o olhar, a tarefa parecia impossível.

Todos entraram no bar e meus olhos a acompanhavam o tempo inteiro. Quando ela tirou o casaco, tudo parou. O bar inteiro ficou em silêncio, minha respiração prendeu e tudo ficou em câmera lenta quando meus olhos bateram em seu ombro direito e viram a porra daquela tatuagem! Eu a reconheceria em qualquer lugar! Quatro anos depois, sem uma porra de uma ligação, mensagem ou sinal de fumaça, ela me aparece bem aqui! Puta que pariu, Deus! Você só pode tá de brincadeira!

Lembra que eu mencionei um evento que me deixou abalado? Então, o nome dele é Ana.

Nos conhecemos assim que eu entrei pra Universidade. Depois de uns dois meses de aula, estava com uma colega de curso, Alex, tomando um café e a vi se aproximando da gente. Adoraria dizer que olhei pra ela e nos apaixonamos, que a achei incrível mesmo sem trocarmos uma palavra, mas não aconteceu nada disso. Ela sentou na mesa, Alex nos apresentou como sua colega de quarto, e ela foi simpática. Conversamos um pouco, ela mencionou que estava no curso de Estudos de Gênero, percebi que era uns dois anos mais velha que eu, e foi isso! Não houve fogos de artifício ou nada disso que você vê nesses filmes de comédia romântica.

Começamos a conviver um pouco mais, já que passei a fazer parte do grupo de amigos da Alex, e fui descobrindo, aos poucos, o quanto que ela era interessante. Queria fazer dos seus estudos, seu trabalho. Era apaixonada pela vida, pelas coisas simples do dia e sorria a porra do tempo inteiro. Acompanhei a dificuldade que ela passou quando decidiu virar vegetariana, mas convicta dos seus princípios, não desistia. Era um trem bala quando se tratava dos seus sonhos.

Um dia tivemos a brilhante ideia idiota de ir a um karaokê que todos estavam falando. Idiota porque a porra do lugar ficava em Dever, na Tucson Street, uma hora de distância da faculdade! Sim é isso mesmo que você leu! Mas como as provas tinham terminado, resolvi fazer igual a Ana, e só relaxar um pouco e aproveitar meus amigos. De acordo com ela, sou preocupado demais!

Estávamos todos lá, bebendo, rindo um dos outros por causa da nossa qualidade musical, quando Ana me pegou pelo braço e me levou para o palco. Foi só quando estava segurando o microfone que vi que ela tinha escolhido uma música do Blink 182. Sério! Mais uma vez resolvi relaxar e cantamos como duas gralhas “What´s my age again?”. Quando a música acabou ela me abraçou rindo muito daquela situação que eu posso lhe garantir, com toda certeza, foi o momento mais vergonhoso da minha vida. Mas foi naquele abraço e no sorriso dela que, porra, vi que estava fodido. Ela deve ter sentido também, porque no impulso do momento, ela me beijou.

Não vou detalhar os nossos momentos fodas, nossas brigas, nosso dia a dia. Só vou lhe falar que ficamos dois anos juntos e um dia, normal como todos os outros, acordei na minha cama, sozinho com a porra de um bilhete que dizia “Noah, não sou boa de despedidas, consegui uma oportunidade incrível e estou partindo. Amo você”.

Fiquei sem ar. Sai correndo para o apartamento dela e de Alex. Quando cheguei lá esbaforido, Alex estava tão confusa quanto eu. Falou que ela chegou, colocou suas poucas coisas naquele carro dela, que mais parecia uma lata velha, e saiu. Quando Alex olhou pela janela, viu que até o colchão do quarto ela tinha levado.

Inútil dizer que tentei encontrá-la sem sucesso.

Isso foi há quatro anos e aqui estou eu, sem ar quando a reconheci. Ela virou para o bar e me viu. Comecei a suar frio! Puta que pariu! Ela veio na minha direção, e meu telefone começou a tocar, mas quem disse que eu conseguia me mexer? Me abraçou e perguntou como eu estava. Expliquei que estava aguardando uma ligação, mas que já estava de saída. Ela olhou nos meus olhos e disse:

– Fica, por favor!

Eu espero que eu saiba o que eu estou fazendo, porque eu disse que ficaria! Esqueci tudo o que eu passei, todo o tempo que fiquei procurando por ela, esqueci até da porra do meu telefone!

Merda! Perto dela, eu não consigo me segurar.

(Agora pode colocar a música pra tocar e aconselho também acompanhar a letra)


 

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